sábado, 5 de maio de 2012

Competência Vs Confiança




Competência Vs Confiança


Recentemente, em um almoço de negócio, ouvi uma recomendação de um colega para outro colega.  Na ocasião um disse:

 “... esse rapaz é de extrema confiança e está conosco há anos, gostamos muito dele. Acreditamos que daria um rim para a empresa...”.

Coincidentemente, fui, no outro dia, visitar a empresa onde ambos trabalham e, acreditem, tive uma reunião com o rapaz de extrema confiança. Muito pela recomendação que ouvira fui, como dizem meus novos colegas e parceiros de trabalho do Rio Grande do Sul, tateando no tratamento e nas perguntas. De repente, comecei a ouvir elogios apaixonados do recomendado para com a empresa. Na oportunidade, dissera que seria capaz de “sangrar” pela companhia. Confesso que tamanho saudosismo me incomodou, pois acostumado a lidar com muitas pessoas, percebia que aquilo nada mais era para impressionar os empregadores que do lado estavam.

Terminado o momento de reconhecimento comecei a fazer perguntas simples ligadas a rotina do recomendado. Exemplo: Qual indicador deste processo? Quantos atendimentos são feitos? Qual o grau de satisfação dos clientes? Qual seu orçamento para esta operação. Logo percebi que as perguntas incomodavam, eram mau vistas e que aquilo incomodava nossa conversa. Passado esse momento, perguntei ao fundador da empresa se aquilo era normal vindo de uma pessoa naquela função. A resposta foi clara: Não.

Pergunto, por que somos impelidos a sermos seduzidos com esses discursos, com essa imagem doce de dor e esforço de pessoas que na realidade não são tão comprometidas, como demonstram? Simples! Somos apegados a imagem, a discursos apaixonados. Nossa nação foi seduzida pelo discurso collor`s speech, pela postura “demostiana” de busca pela justiça, com retórica bela aos ouvidos dos desatentos.

Nas empresas não são diferente, principalmente quando não se têm processos definidos, indicadores claros que possam medir o rendimento de cada departamento. Sabemos que não são garantia de sucesso essa medição, mas é uma ferramenta bem útil para não sermos seduzidos por esse discurso apaixonado. Mas com esses indicadores em mãos como usá-los? Eis algumas dicas importantes para esse trabalho:

  • Defina bem o conceito de cada indicador. A definição clara de cada medida será importante para que todos tenham a responsabilidade de levantamento das informações.
  • Demonstre a todos a importância desta medição para o negócio. Uma vez entendendo a importância e a aplicação, todos cooperarão para que aquilo aconteça.
  • Discuta o resultado obtido. Todos precisam participar da construção, da análise dos resultados e do impacto que isso tem em suas atividades.
  • Em fim, tome decisão! Mas não se esqueça de que “texto sem contexto é pretexto”. Os números precisam ser contextualizados, uma análise fria poderá incorrer a erros e os gestores podem cometer injustiça.


De posse de todas as evidências, indicadores bem construídos, temos condição de tomar uma decisão equilibrada de forma a melhorar a organização. Sem ficarmos refém da aparência e pautados pela competência do processo e das pessoas.

Finalizo esse material com uma frase bíblica:

“A falta de visão leva as pessoas a ruina”
Provérbios 29:18


Luciano Moraes

Um comentário:

  1. Perfeita visão!!! Nem tudo que parece é!!! O ideal seriamos encontrar a coesão nestes dois fatores: Os indicadores certos nas mãos do compromisso correto!!!
    Bom post!!
    Um abraço,

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